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Guerra leva produtores de MT a antecipar compra de fertilizantes

Em meio às incertezas do mercado internacional por causa do cenário de Guerra no Irã, produtores se organizam para antecipar a aquisição de fertilizantes para a safra 2026/27. Segundo análise do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgada nessa segunda-feira (16), até fevereiro já haviam sido adquiridos 44,43% do volume necessário de insumos para o próximo ciclo, aumento de 13% em relação ao mesmo período da safra anterior.

Os fertilizantes são parte fundamental para garantir boa produtividade da safra. – Foto: CNA/Wenderson Araújo

O movimento ocorre em um contexto de instabilidade geopolítica e receio do aumento nos preços dos insumos, impactando diretamente os custos de produção da soja em Mato Grosso. A preocupação se intensifica porque a maior parte dos fertilizantes utilizados na produção de soja depende de importações. 

Em 2025, cerca de 58,91% dos fertilizantes fosfatados comprados pelo estado tiveram origem no Egito e em Israel, regiões diretamente ligadas ao cenário de tensão. Ainda de acordo com o instituto, o principal ponto de atenção se concentra no segundo e terceiro trimestres do ano, período em que ocorre o pico das importações desses insumos. 

Caso o conflito se prolongue, gargalos logísticos e a elevação dos fretes marítimos podem aumentar a instabilidade dos preços, principalmente para os produtores que optarem por adiar as compras dos insumos. Segundo o Imea, a possível alta nos preços preocupam, já que os insumos correspondem a cerca de 45% do custeio da soja. 

Segundo o coordenador de Inteligência de Mercado Agropecuário do Imea, Rodrigo Silva, se a elevação dos preços passarem a estabelecer um novo piso, o impacto será sentido diretamente no bolso do produtor. 

“Se o preço dos fertilizantes subir agora e passar a estabelecer um novo piso, ou seja, subir alguns degraus de forma permanente, isso vai impactar diretamente a composição de custos do produtor”, disse Rodrigo. 

Nesse cenário, uma alta mais expressiva nos preços pode levar parte dos produtores a recalcular a rota. Ainda segundo o Imea, alguns produtores podem optar por reduzir o chamado pacote tecnológico da lavoura, com cortes em adubação ou manejo, o que pode afetar a produtividade das próximas safras.

Ministro vê cenário com cautela

Durante passagem por Cuiabá, no último dia 6 de fevereiro, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, afirmou que o governo federal acompanha com cautela os possíveis impactos da guerra envolvendo o Irã sobre o agronegócio brasileiro. Segundo ele, apesar da preocupação no mercado, ainda não há medidas emergenciais previstas para o setor.

Fávaro avalia que o impacto imediato para os produtores tende a ser limitado, especialmente para quem já iniciou o ciclo atual de produção.

“Os produtores que estão agora na segunda safra de milho já compraram seus insumos. A safra de verão será implementada a partir de setembro, então temos um tempo ainda para comprar os insumos. É momento de observação e de cautela e o governo vai estar acompanhando isso ao lado dos produtores”, disse o ministro.

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