Simone da Silva Matiuzi, de 35 anos, teve a vida interrompida por um homem nessa quinta-feira (12) em Vila Bela da Santíssima Trindade (MT) e, com a morte dela, o estado passa a registrar sete feminicídios apenas em 2026 – sendo que três deles ocorreram nesta semana.
Com isso, o total de casos neste ano em Mato Grosso já representa 13% dos registros do ano passado, segundo dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público estadual (MPMT).
FEMINICÍDIOS EM MATO GROSSO 2026
Linha do tempo dos casos neste ano (arraste para o lado)
Os últimos três casos registrados: Gabia, Estefane e Simone, ocorreram na mesma semana, em diferentes cidades mato-grossenses.
Seis das vítimas deste ano foram mortas no lugar onde moravam – o que reforça os dados do Observatório Caliandra divulgados em 2025: mais de 70% dos casos de feminicídio registrados no estado aconteceram nas casas das próprias mulheres mortas.
Apesar do total de sete feminicídios em 2026, a última atualização do Observatório Caliandra foi feita nessa quinta-feira e, por isso, o número ainda é de seis casos; como você pode ver na linha do tempo de feminicídios a partir de 2019; veja abaixo:
FEMINICÍDIOS EM MATO GROSSO 2026
Linha do tempo dos casos neste ano (arraste para o lado)
Medidas protetivas, proximidade com o agressor e mortes em casa
Dentre as vítimas de feminicídio do ano passado, apenas 13% delas tinham medidas protetivas contra seus agressores. Neste ano, a professora Luciene Naves Correia, de 51 anos (4ª vítima de feminicídio no estado) tinha medida protetiva contra o ex-marido, Paulo Neves Bispo, de 61 anos, suspeito do crime.
Ainda conforme o levantamento do Caliandra do ano passado, a maior parte dos crimes foi cometida com uso de armas cortantes ou perfurantes, como facas, canivetes e facões – novamente reforçando o panorama dos crimes atuais.
Outro ponto que chama atenção é a proximidade que as vítimas possuíam com seus agressores ou assassinos. No caso da morte de Estefane Pereira Soares, de 17 anos, a proximidade atinge um grau ainda maior de parentesco: o suspeito de estupro e assassinato era o próprio irmão dela, Marcos Pereira Soares, de 23 anos – que está preso.
O caso da morte de Stefane teve grande repercussão nessa quinta-feira, não apenas pelo nível de violência, mas também pelo fato de que o suspeito do crime havia deixado a prisão há menos de uma semana, após um possível erro no cadastro de processos judiciais em nome dele.
A inconsistência foi apontada em um pedido de verificação encaminhado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pelo juiz Geraldo Fernandes Fidélis Neto, da Vara de Execuções Penais da capital.

Feminicídio é crime
Com a sanção da Lei nº 14.994/2024, o feminicídio passou a ser considerado crime autônomo no Código Penal, com pena de até 40 anos de prisão. Desde então, os processos já têm sido denunciados com base no novo artigo (121-A), o que reforça a tipificação específica para esse tipo de violência.
O crime é caracterizado como o assassinato de uma mulher motivado por violência doméstica, familiar ou por discriminação de gênero, conforme prevê a legislação brasileira. Em geral, os crimes estão associados a relações íntimas, histórico de agressões e contextos de controle ou posse sobre a vítima.
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