Pesquisa analisou 204 países e identificou crescimento de 95,5% nos casos de transtornos mentais desde 1990
Por Cristiano Stefenoni
Os transtornos mentais e comportamentais estão afetando um número cada vez maior de pessoas em todo o mundo. Um estudo publicado na revista científica The Lancet revelou que cerca de 1,2 bilhão de pessoas convivem com algum transtorno mental, quase o dobro do registrado em 1990. A pesquisa foi conduzida por cientistas do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME), dos Estados Unidos, em parceria com pesquisadores da Universidade de Queensland, na Austrália, dentro do projeto Global Burden of Disease (Carga Global de Doenças).
Considerado o levantamento mais abrangente já realizado sobre o tema, o estudo analisou dados de 204 países e territórios ao longo de 33 anos, avaliando a prevalência e o impacto de 12 tipos de transtornos mentais. Segundo os pesquisadores, o número de pessoas afetadas passou de aproximadamente 599 milhões em 1990 para 1,17 bilhão atuais, um aumento de 95,5%.
Embora parte desse crescimento seja explicada pelo aumento da população mundial, os especialistas alertam que fatores sociais, econômicos e ambientais também contribuíram para a expansão dos problemas relacionados à saúde mental. O estudo destaca que os transtornos mentais permanecem entre as principais causas de incapacidade em todo o planeta, impactando a qualidade de vida, a produtividade e os sistemas de saúde.
Entre os transtornos analisados, a ansiedade e o transtorno depressivo maior aparecem como as condições mais frequentes. Os pesquisadores observaram ainda que adolescentes e jovens estão entre os grupos mais vulneráveis. A faixa etária de 15 a 19 anos apresentou algumas das maiores taxas de transtornos mentais registradas no levantamento. Outro dado relevante é que as mulheres apresentaram índices mais elevados de diversos transtornos quando comparadas aos homens.
Situação preocupa no Brasil
Embora o estudo tenha foco global, os números refletem uma realidade que também preocupa no Brasil. Estimativas apontam que cerca de 45 milhões de brasileiros convivem com algum transtorno mental, o equivalente a aproximadamente um em cada cinco habitantes.
Nos últimos anos, especialistas têm alertado para o crescimento de quadros relacionados à ansiedade, depressão, estresse crônico e esgotamento emocional, especialmente após os impactos provocados pela pandemia de Covid-19.
Desafio para governos e sociedade
Os autores do estudo defendem que a saúde mental seja tratada como prioridade nas políticas públicas de saúde. Segundo eles, ampliar o acesso a tratamentos, fortalecer a prevenção e reduzir o estigma em torno dos transtornos mentais são medidas fundamentais para enfrentar o problema.
Os pesquisadores também ressaltam a importância de investimentos em atendimento psicológico e psiquiátrico, especialmente para crianças, adolescentes e jovens adultos, grupos que apresentam crescente vulnerabilidade.
Para os especialistas, os resultados mostram que os transtornos mentais deixaram de ser um desafio individual para se tornarem uma questão global de saúde pública, exigindo ações coordenadas de governos, instituições e da sociedade.
Sinais de alerta para a saúde mental
- Tristeza persistente;
- Ansiedade excessiva;
- Alterações significativas no sono;
- Falta de energia constante;
- Perda de interesse por atividades antes prazerosas;
- Irritabilidade frequente;
- Dificuldade de concentração;
- Isolamento social.