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Subtenente vítima de feminicídio abriu caminho para mulheres na PM de MS

Morta a tiro pelo namorado Gilberto Jarson, de 50 anos, a subtenente da Polícia Militar, Marlene Brito Rodrigues, de 59, estava na corporação há 37 anos e abriu caminhos para outras mulheres em áreas que antes eram 100% masculinas. O crime de feminicídio ocorreu na manhã desta segunda-feira (6), em Campo Grande, na casa onde a vítima morava com o autor. 

Marlene ao receber homenagem no Comando Geral da Polícia (Foto: rede social)

Nas redes sociais, Marlene gostava de expressar a paixão pela profissão, relatando a trajetória que viveu na polícia desde 1988, quando se formou na terceira turma feminina de soldados da PMMS. 

“Eu cheguei até aqui e confesso que nunca pensei que chegaria tão longe. Estudei muito e trabalhei bastante. Primeira mulher a fazer parte da Polícia Florestal, onde antes só tinha homens. Lá fomos nós, sem saber nada, e aprendemos”, escreveu a policial em uma publicação na rede social. 

No currículo, a vítima construiu história ao participar do curso de Sargentos, entre os anos de 1998 e 1999, onde depois atuou por 16 anos no Quartel do Comando Geral da PM. 

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Marlene durante formatura como soldado feminina da PMMS (Foto: rede social)

Atualmente, Marlene trabalhava no Grupo de Apoio Policial (GAP), onde era responsável por visitar policiais veteranos. 

“Projeto que nasceu no Coração da Coronel Neidy, que era Subcomandante Geral. Ela me disse que eu sou a mais qualificada, porque conheço muitos militares e converso muito. E a grande maioria eu conheço. Ingressei em 1988. Enfim, fui com medo mesmo. Gratidão a Deus por exatamente tudo”, relatou em uma mensagem de agradecimento. 

  1. Subtenente é 1ª vítima de feminicídio do ano em Campo Grande

O caso

A subtenente é a primeira vítima de feminicídio do ano em Campo Grande e a 9ª de Mato Grosso do Sul nos primeiros 95 dias de 2026. 

Ela namorava o suspeito há pouco mais de um ano, e passou a morar com ele há dois meses, em uma casa no bairro Estrela Dalva. Um vizinho, que também é policial militar, escutou um barulho de tiro por volta das 11h e pulou o muro da residência. Ao entrar no imóvel, se deparou com o suspeito com uma arma na mão. Ele relatou que a mulher teria se matado. 

O socorro foi acionado, mas quando as equipes chegaram ao local a policial já estava sem vida. A residência foi isolada e equipes da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e Perícia foram chamadas. 

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Polícia no local onde a vítima morreu (Foto: Rafaela Moreira)

O namorado da vítima foi encaminhado à delegacia e preso em flagrante. A Polícia Civil reuniu provas suficientes para tratar o caso como feminicídio. Em nota, a Polícia Militar lamentou a morte da servidora. 

“​​Diante da gravidade do ocorrido, a PMMS solicita encarecidamente o respeito à dor da família. […]  Informamos que as circunstâncias que envolveram o óbito ainda estão sendo devidamente apuradas. A Corporação, por meio de seus setores competentes, está acompanhando o caso de perto para que todos os fatos sejam esclarecidos com a precisão e a seriedade necessárias. O Comando-Geral da PMMS já designou equipes para prestar todo o suporte necessário à família enlutada, lamentando a perda da tão querida e valorosa policial militar”, finalizou. 

Vítimas de feminicídio em 2026

Até o momento, Mato Grosso do Sul ja contabiliza nove crimes de feminicídios, ocorridos com mulheres de 18 a 62 anos. São elas:

  • Josefa dos Santos – morta no dia 16 de janeiro em Bela Vista;
  • Rosana Candia Ohara – morta no dia 24 de janeiro em Corumbá;
  • Nilza de Almeida Lima – morta no dia 22 de fevereiro em Coxim;
  • Beatriz Benevides – morta no dia 25 de fevereiro em Três Lagoas;
  • Leise Aparecida Cruz – morta no dia 6 de março em Anastácio;
  • Liliane de Souza Bonfim – morta no dia 7 de março em Ponta Porã;
  • Ereni Benites – morta no dia 8 de março, em Paranhos.
  • Fátima Aparecida da Silva – morta no dia 23 de março, em Selvíria;
  • Marlene Brito Rodrigues – morta no dia 06 de abril, em Campo Grande;

Denuncie

⚠️ Violência doméstica, seja psicológica, física ou verbal, é crime! Saiba como denunciar:

  • Emergências: se a agressão estiver acontecendo, ligue no número 190 imediatamente;
  • Denúncias: ligue para o número 180. O serviço de atendimento é sigiloso e oferece orientações para denúncias sobre violência contra mulheres. O telefonema pode ser feito em qualquer horário, todos os dias. Também é disponível um WhatsApp – (61) 9610-0180;
  • Perigo: procure a delegacia mais próxima e acione a polícia, por meio do 190.

Em Mato Grosso do Sul, as denúncias de violência de gênero podem ser feitas de maneira on-line. Clique aqui e faça a denúncia.

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