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Sete mulheres de MT entram na lista das 100 poderosas do agro; veja quem são elas

Sete mulheres de Mato Grosso foram incluídas na lista das 100 mulheres poderosas do agronegócio brasileiro, divulgada pela revista americana Forbes nesta quinta-feira (15), em celebração ao Dia Internacional da Mulher Rural. A seleção reúne representantes de diferentes regiões, gerações e áreas de atuação, destacando a participação feminina no setor.

Entre as mato-grossenses estão empresárias, pecuaristas, lideranças indígenas e representantes de movimentos ligados ao agronegócio. Elas atuam em áreas que vão da gestão de grandes propriedades rurais e seleção genética de bovinos à sustentabilidade, ao bem-estar animal e à valorização da produção indígena.

Belisa Maggi. – Foto: reprodução/Instagram

Belisa Souza Maggi, da Fundação Amaggi

Belisa Souza Maggi preside a Fundação André e Lucia Maggi, hoje Fundação Amaggi, braço de investimento social de um dos maiores grupos do agronegócio brasileiro. Neta dos fundadores, André e Lucia Maggi, ela também é acionista do grupo e sócia-administradora da Agropecuária Pirapora, empresa da família. Criada em 1997 em Sapezal (MT), a Fundação Amaggi está em 67 municípios de 9 estados, onde leva projetos sociais às comunidades em que o grupo atua.

Belisa assumiu o conselho curador da fundação em 2018. Formada em Direito, com pós-graduação em Inteligência Socioemocional e especialização em Desenvolvimento da Primeira Infância por Harvard, preside ainda o Instituto Signativo, dedicado à educação socioemocional de crianças, adolescentes e educadores.

Carmen Perez, pecuarista e ativista de bem-estar animal

Nos últimos cinco anos, Carmen Perez transformou a Fazenda Orvalho das Flores, em Araguaiana (MT), naquilo que ela pregava: um local para provar que o bem-estar animal dá lucro. Ali, a mortalidade de bezerros caiu de 14% para 1,6% na última temporada, sem contratar gente nem erguer estruturas. A virada veio de treinamento da equipe, procedimentos padronizados e metas atreladas a bônus. Para levar o método a outras fazendas, ela criou o curso Rebanho de Valor, de gestão de pessoas e manejo.

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Carmen Perez, do município de Araguaiana (MT). – Foto: reprodução/Instagram

Carmen também levou o tema às telas com o projeto Quando Ouvi a Voz da Terra. O documentário estreou no dia 25 de outubro de 2021 e virou websérie em 2022. Em 2025, lançou outro longa, o filme Um Outro Olhar, com a especialista americana Temple Grandin e o professor brasileiro Matheus Paranhos, seu guru e mentor. Paulista, Carmen se mudou aos 22 anos para o Mato Grosso com uma condição: queria criar gado com respeito. Em 2016, ela aboliu a marcação a ferro do rebanho, que é uma bandeira de vida. Carmen integrou a primeira edição da “Lista Forbes As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, em 2021.

Geni Caline Schenkel, presidente do Movimento Agroligadas

Tudo começou com o livro didático da filha. Ao se deparar com desinformações sobre o agro, a fisioterapeuta Geni Caline Schenkel decidiu levar os colegas da menina para conhecer uma fazenda. Em agosto de 2018, em plena discussão sobre o projeto de lei dos defensivos agrícolas, reuniu cerca de 50 mulheres em Campo Verde (MT) e fundou o movimento Agroligadas, do qual é presidente, a partir de um grupo de WhatsApp.

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Geni Caline Schenkel, de Campo Verde. – Foto: reprodução/Instagram

A proposta foi a de construir uma ponte entre o campo e a cidade, levando estudantes, professores e consumidores para dentro das propriedades. Hoje, o movimento reúne cerca de 3 mil mulheres, está presente em 100 cidades de 24 estados, com impacto estimado em mais de 2 milhões de pessoas. Geni também integra a Comissão Nacional das Mulheres do Agro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Maria Cecília Zenezokemaero, da etnia Haliti-Paresi

Maria Cecília Zenezokemaero já era estudante de medicina quando visitou uma lavoura mecanizada na qual o marido operava máquinas, no território Paresi, em Mato Grosso. Saiu de lá decidida a trocar de curso. Ela se formou pelo Instituto Federal de MT, em Campo Novo do Parecis, e se tornou a primeira mulher de sua aldeia com diploma de engenheira agrônoma. Hoje, Cecília presta assistência técnica a lavouras de algodão e leva para fora do território o conhecimento de um povo que cultiva 17 mil hectares de soja, milho, feijão e gergelim em apenas 1% de suas terras, com a renda dividida por igual entre as famílias.

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Maria Cecília Zenezokemaero primeira mulher de sua aldeia com diploma de engenheira agrônoma. Foto: reprodução/Internet

Uma das bandeiras que defendia, o licenciamento ambiental da lavoura indígena, foi conquistada em outubro de 2025, após mais de duas décadas de espera, o que abre caminho para o crédito bancário e a rastreabilidade dos grãos. Cecília fala a língua Paresi desde criança e resume o que move a sua comunidade: “Você tendo autonomia e economia, é bem visto em qualquer lugar.”

Mônica Marchett, pecuarista e diretora da ACNB

Mônica Marchett tinha 20 anos quando assumiu a malharia da família em Caxias do Sul (RS), enquanto o pai partia para Rondonópolis (MT) atrás de terra. Dois anos depois, trocou a fábrica pelo campo. Foi dela a decisão de levar o grupo para a pecuária nos anos 1990 e de apostar na integração lavoura-pecuária-floresta antes de virar moda.

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Mônica Marchett, de Rondonópolis. – Foto: reprodução

Hoje preside o Grupo Mônica, com quase 25 mil bovinos, entre gado comercial e genética Nelore de elite, em cerca de 70 mil hectares no Brasil e na Bolívia, onde planta soja e prepara a expansão no Beni. É a única mulher entre os 12 diretores da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), onde comanda o marketing. Neste ano, em Uberaba (MG), ela foi o destaque feminino da 91ª ExpoZebu, a mais importante feira desse tipo de gado no mundo. Como bandeira, Mônica defende manejo sem estresse, para o gado no mundo. Como bandeira, Mônica defende manejo sem estresse, para o gado e para quem trabalha com ele.

Natália Martins, pecuarista

Natália Martins é o retrato de uma nova geração na seleção de gado no Brasil. Formada em Direito, chegou a advogar antes de voltar para a Fazenda Camparino, em Cáceres (MT), onde cuida da gestão financeira e comercial. É a sexta geração de uma família de pecuaristas e sucede, ao lado do irmão, Matheus, o avô José Humberto Vilela Martins, o eterno Zé Humberto. Contar a trajetória dele é recontar a história do Nelore moderno e da evolução da genética zebuína no país. A fazenda também cria cavalos Quarto de Milha.

Zé Humberto morreu em agosto deste ano, aos 84 anos, e deixou um plantel de Nelore, Nelore Mocho, Sindi e Gir Leiteiro. Natália também aposta na comunicação digital para aproximar gerações no campo. Nas redes sociais, ela vem criando Zezão Responde, uma homenagem aos saberes do avô como selecionador.

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Natália Martins, pecuarista de Cáceres. – Foto: reprodução

Neiriane Taerik, da Aldeia Barranco Vermelho

Nas aldeias Rikbaktsa da Terra Indígena Erikpatsa, em Brasnorte, no noroeste de Mato Grosso, a castanha-do-pará virou negócio pelas mãos das mulheres. E quem está à frente delas é Neiriane Taerik, que tem 26 anos e se tornou a primeira mulher a presidir a Associação Indígena da Aldeia Barranco Vermelho. São 12 aldeias integradas, contando com um grupo de 16 mulheres que beneficiam a castanha.

São as famílias que colhem e vendem as amêndoas já beneficiadas. Entre 2024 e 2025, o grupo comercializou 2,5 toneladas, e outras mulheres aguardam vaga para entrar. O trabalho integra o projeto de bioeconomia Biodiverso, cujos territórios produziram cerca de 34 toneladas de castanha por ano. A meta é chegar a 800 toneladas até 2027, com 300 extrativistas, ajudando a conservar 1,4 milhão de hectares de floresta.

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