Saúde mental pode elevar em 72% risco de acidentes

Estudo da Espanha aponta impacto da saúde emocional na segurança viária

Por Cristiano Stefenoni

Distrações ao volante, consumo de álcool e velocidade inadequada continuam entre as principais causas dos acidentes de trânsito. No entanto, pesquisadores alertam que esses fatores podem esconder um problema ainda mais profundo: a saúde mental dos condutores.

Um relatório elaborado pela Universidade de Granada para a Direção-Geral de Trânsito da Espanha (DGT) revelou que motoristas com transtornos de humor e ansiedade apresentam um risco 72% maior de se envolver em acidentes quando comparados à população em geral. O estudo reforça a necessidade de incluir o cuidado com a saúde emocional entre as estratégias de prevenção de sinistros nas estradas.

– Continua após a publicidade –

A pesquisa foi desenvolvida pelo Centro de Pesquisa Mente, Cérebro e Comportamento (CIMCYC), da Universidade de Granada, e consiste em uma revisão sistemática da literatura científica. Os pesquisadores analisaram 288 estudos publicados entre 2015 e 2025, dos quais 31 atenderam aos critérios metodológicos para compor a análise final.

Depressão e ansiedade afetam a condução

Segundo os pesquisadores, transtornos como depressão, ansiedade e transtorno bipolar podem comprometer habilidades fundamentais para uma condução segura. Entre elas estão a atenção, a concentração, o tempo de reação, a capacidade de tomar decisões rápidas e a percepção de riscos no trânsito.

O relatório destaca que essas alterações podem aumentar significativamente a probabilidade de acidentes, mesmo quando o motorista não apresenta sinais aparentes de incapacidade.

Medicamentos também exigem atenção

Outro ponto abordado pelo estudo é o uso de antidepressivos. Os pesquisadores explicam que alguns medicamentos com efeito sedativo podem reduzir o estado de alerta e prejudicar a capacidade de dirigir de maneira semelhante aos efeitos provocados pelo consumo de álcool.

– Continua após a publicidade –

Os autores ressaltam, porém, que isso não ocorre com todos os antidepressivos. O risco depende do tipo de medicamento, da dosagem e da fase do tratamento, sendo fundamental que pacientes sigam orientação médica antes de dirigir.

Subnotificação preocupa especialistas

O levantamento também identificou uma discrepância entre o número de pessoas que convivem com transtornos mentais e aquelas que informam essa condição durante o processo de renovação da carteira de motorista na Espanha.

Enquanto cerca de 34% da população espanhola apresenta algum transtorno mental ao longo da vida, apenas 0,63% dos condutores declaram essas condições nos exames para renovação da habilitação. Para os pesquisadores, esse dado evidencia uma possível subnotificação e dificulta a adoção de medidas preventivas.

Saúde mental também é questão de segurança viária

Diante dos resultados, os autores defendem que a saúde mental seja incorporada de forma mais ampla às políticas públicas de segurança no trânsito. A recomendação inclui campanhas de conscientização, acompanhamento adequado de pacientes em tratamento psiquiátrico e avaliações individualizadas da aptidão para dirigir.

– Continua após a publicidade –

Na avaliação dos pesquisadores, promover o bem-estar emocional dos motoristas não beneficia apenas quem enfrenta transtornos psicológicos, mas também contribui para tornar o trânsito mais seguro para toda a sociedade.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Mendonça multa Flávio por impulsionar post negativo contra Lula

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta segunda-feira (5) multar o…

IFMS vai comprar alimentos da agricultura familiar; veja

Agricultores familiares e empreendedores familiares rurais podem participar de uma chamada pública aberta pelo Instituto…

Reino Unido vai monitorar dispositivos médicos baseados em IA

Os dispositivos médicos baseados em inteligência artificial (IA) precisarão de monitoramento constante mesmo após serem…