Pesquisa com idosos mostrou melhora dos sintomas de depressão e ansiedade após 12 semanas de suplementação
Por Cristiano Stefenoni
Os probióticos, microrganismos conhecidos por auxiliar no equilíbrio da flora intestinal, podem representar uma nova ferramenta no tratamento da depressão em idosos. É o que sugere um estudo publicado no periódico científico Journal of the American Geriatrics Society, que encontrou melhora nos sintomas de depressão e ansiedade entre pacientes que receberam suplementação diária de probióticos juntamente com o tratamento antidepressivo tradicional.
A pesquisa, denominada PRODG (Probiotics in Geriatric Depression), foi conduzida por pesquisadores da Índia e acompanhou 58 pessoas com 60 anos ou mais diagnosticadas com depressão unipolar moderada. Todos os participantes continuaram recebendo os medicamentos e cuidados habituais para a doença durante o estudo.
Os voluntários foram divididos aleatoriamente em dois grupos. Metade recebeu probióticos diariamente durante 12 semanas, enquanto a outra metade recebeu placebo. Após esse período, os participantes continuaram sendo monitorados por mais 12 semanas para que os pesquisadores avaliassem a evolução dos resultados ao longo do tempo.
Ao analisar escalas psicológicas validadas para depressão e ansiedade, além de biomarcadores e exames da microbiota intestinal, os pesquisadores observaram que os pacientes que receberam probióticos apresentaram reduções mais expressivas nos sintomas depressivos e ansiosos em comparação ao grupo placebo.
O estudo também avaliou os níveis sanguíneos do BDNF (Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro), proteína associada à sobrevivência e ao desenvolvimento dos neurônios, frequentemente utilizada em pesquisas sobre saúde mental. Além disso, os cientistas realizaram análises das bactérias presentes no intestino dos participantes para investigar possíveis alterações relacionadas à melhora clínica.
Apesar dos resultados positivos, os autores destacam que os benefícios observados foram classificados como modestos e que ambos os grupos apresentaram melhora ao longo do acompanhamento, reflexo do tratamento convencional já em andamento. Ainda assim, os dados sugerem que os probióticos podem funcionar como uma terapia complementar segura e biologicamente plausível para idosos com depressão.
Segundo o pesquisador Saibal Das, um dos autores do trabalho, os resultados são suficientemente promissores para justificar novas investigações em larga escala. A equipe já planeja um estudo maior para confirmar os achados e entender melhor quais pacientes podem se beneficiar mais da estratégia.
Intestino e cérebro: uma relação cada vez mais estudada
Nos últimos anos, cientistas têm dedicado atenção crescente ao chamado “eixo intestino-cérebro”, sistema de comunicação bidirecional entre a microbiota intestinal e o sistema nervoso central. A hipótese é que determinadas bactérias presentes no intestino possam influenciar processos inflamatórios, a produção de neurotransmissores e até mesmo o humor.
Embora ainda sejam necessárias pesquisas maiores para estabelecer recomendações clínicas definitivas, o novo estudo reforça a ideia de que a saúde intestinal pode desempenhar um papel relevante no bem-estar emocional, especialmente durante o envelhecimento.