Decisão provoca manifestações de políticos capixabas e da bancada evangélica
Por Denise Miranda
A decisão do Supremo Tribunal Federal que autorizou a prisão domiciliar temporária do ex-presidente Jair Bolsonaro intensificou o clima de polarização política no país e repercutiu entre parlamentares e integrantes da bancada evangélica no Congresso Nacional.
A medida, tomada no âmbito de investigações em curso, substitui a eventual custódia em unidade prisional por restrição em residência, com condições a serem cumpridas pelo ex-presidente. A decisão reacende o debate sobre os limites das medidas cautelares e o papel do Judiciário em processos envolvendo figuras políticas de destaque.
Entre parlamentares da oposição, o discurso predominante foi de defesa da medida sob argumento humanitário. O deputado Gustavo Gayer (PL-GO) afirmou que “não se trata de privilégio, mas de garantir condições mínimas de saúde”, destacando a necessidade de acompanhamento médico contínuo. Na mesma linha, o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP)reforçou que “a prioridade é a saúde”, classificando a situação como delicada.
O deputado Da Vitória (PP-ES), líder da bancada capixaba, classificou como adequada a decisão que concedeu prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “É uma medida justa para que ele possa dar continuidade ao tratamento em casa, ao lado da família. Sabemos que é grave a situação de saúde que ele tem enfrentado, e garantir esse cuidado em um ambiente adequado é um direito. Desejo uma pronta recuperação”, afirmou.
Entre os parlamentares do Espírito Santo, o deputado Messias Donato (União-ES) classificou a decisão como tardia e criticou a condução do processo. “O que estamos vivendo é, antes de tudo, uma questão de justiça — ainda que tardia. A decisão do ministro Alexandre de Moraes ao conceder prisão domiciliar ao presidente Jair Bolsonaro é um reconhecimento mínimo diante de tudo o que já deveria ter sido considerado há muito tempo”, afirmou.
O deputado federal Evair de Melo (PP-ES) afirmou que a decisão do Supremo Tribunal Federal de conceder prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro é um reconhecimento tardio da situação enfrentada por ele. Segundo o parlamentar, a medida “ameniza uma situação injusta, mas não resolve o problema de origem”, defendendo que Bolsonaro deveria responder em liberdade, com respeito ao devido processo legal.
Também no Espírito Santo, o deputado estadual Alcântaro Filho (Republicanos) afirmou que a decisão não encerra o debate. “Bolsonaro é um preso político. A prisão domiciliar é um passo importante para preservação de sua vida, mas não corrige a injustiça que ele está sofrendo. Seguiremos orando e nos posicionando pela liberdade de Bolsonaro e de todos os presos políticos no Brasil”, declarou.
O senador Magno Malta afirmou que recebeu a decisão com alívio, destacando a importância da assistência à saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Recebo com gratidão a Deus, especialmente por garantir o cuidado necessário à sua saúde. No campo político, Bolsonaro segue como uma liderança ativa, com forte capacidade de mobilização e influência no debate público”, disse. O senador acrescentou que continuará acompanhando os desdobramentos “com responsabilidade, equilíbrio e respeito às instituições”.