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Presbiteriana de Pinheiros comunica licença do pastor Arival

Ação movida por ex-funcionária terminou em acordo com indenização superior a R$ 100 mil; processo não teve sentença sobre as acusações. Conselho da igreja afirma que houve condutas consideradas inadequadas e informa que pastor recebeu penalidade em processo eclesiástico.

O reverendo Arival Dias Casimiro pediu licença do comando da Igreja Presbiteriana de Pinheiros (IPP), em São Paulo, após a repercussão de um processo trabalhista movido por uma ex-funcionária, que o acusava de assédio e abuso espiritual. A decisão foi tomada em comum acordo com o Conselho da igreja, segundo comunicado divulgado pela instituição.

A ação trabalhista envolvendo Casimiro, que também preside a Junta Missionária de Pinheiros, terminou em acordo entre as partes, com o pagamento de uma indenização superior a R$ 100 mil. O processo não chegou a uma sentença que estabelecesse se houve ou não assédio.

O acordo foi firmado em 24 de julho de 2025, antes da audiência de instrução. O documento também estabeleceu que a conciliação não representava reconhecimento de culpa, responsabilidade ou confissão em relação às acusações apresentadas pela ex-funcionária.

Em comunicado pastoral publicado pelo Conselho da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, a instituição afirmou que determinados fatos apresentados no processo ocorreram e foram considerados inadequados.

“O que foi demonstrado no processo de fato ocorreu e foi considerado inadequado, inoportuno e infeliz.”

— Conselho da Igreja Presbiteriana de Pinheiros


O Conselho afirmou ainda que repudia “toda e qualquer conduta que viole a dignidade, o respeito e os limites de outra pessoa” e reafirmou o compromisso da igreja com relacionamentos orientados pelos princípios das Escrituras, pelo respeito e pelo cuidado mútuo.

Processo eclesiástico


Além da ação trabalhista, o comunicado informa que o caso foi encaminhado à instância eclesiástica considerada competente dentro da estrutura da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB).

Segundo o Conselho, o processo não foi julgado pelo Conselho da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, mas pelo Presbitério, órgão do qual Casimiro é membro. A instituição informou que, após analisar e julgar o caso, o Presbitério decidiu aplicar uma penalidade ao pastor conforme o código de disciplina da IPB.

O comunicado também afirma que houve um pedido de perdão feito por Casimiro diante da pessoa envolvida.

“Durante o processo, na presença da pessoa envolvida, houve pedido de perdão por parte do Rev. Arival, pedido este que foi aceito”

— Conselho da Igreja Presbiteriana de Pinheiros


A Junta Missionária e a Igreja Presbiteriana de Pinheiros também reconheceram, no âmbito da conciliação trabalhista, que determinadas mensagens mencionadas na ação foram consideradas “inoportunas, inadequadas e infelizes”.

Processo reservado

O Conselho explicou que o caso não havia sido divulgado anteriormente porque a denúncia e o processo eclesiástico possuíam caráter velado. De acordo com a instituição, as normas constitucionais da IPB determinam que processos tratados dessa maneira preservem o caráter reservado também na aplicação da disciplina.

A igreja afirmou que a disciplina eclesiástica tem finalidade bíblica e restauradora.

“Ela não existe para promover exposição pública, vingança ou expurgo, mas para confrontar aquilo que está em desacordo com a Palavra de Deus, conduzir ao arrependimento, preservar a Igreja e buscar, sempre que possível, a restauração”

— Conselho da Igreja Presbiteriana de Pinheiros

O Conselho citou ainda os textos de Gálatas 6.1 e Tiago 1.19 para fundamentar a orientação dada aos membros da igreja diante do episódio.

Pedido de licença

Ao abordar diretamente o afastamento temporário de Casimiro, o comunicado informa que a igreja continua acompanhando o pastor e sua família: “Após muitas conversas com o Conselho da Igreja, o Rev. Arival resolveu pedir licença em comum acordo com o Conselho”.


A instituição acrescentou que a família do pastor está entristecida com os acontecimentos e pediu aos membros que permanecessem em oração por Casimiro, seus familiares e pela ex-funcionária envolvida no caso.

O Conselho também afirmou que não pretende relativizar as condutas consideradas erradas nem estimular especulações ou julgamentos precipitados. Ao mesmo tempo, defendeu que o episódio seja tratado dentro do propósito atribuído pela igreja à disciplina, com ênfase em arrependimento, cuidado e restauração: “Não desejamos relativizar aquilo que é errado, tampouco alimentar especulações, julgamentos precipitados ou divisões”.


Ao concluir o comunicado, o Conselho pediu oração pela Igreja Presbiteriana de Pinheiros, seus oficiais, membros e famílias, e afirmou que o objetivo é conduzir a comunidade “por um caminho de arrependimento, perdão, cuidado e restauração”.

A igreja encerrou a manifestação com a declaração bíblica: “Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra cousa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”. A referência indicada pelo Conselho é 1 Coríntios 10.31.

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