Dois homens foram presos, nesta terça-feira (24), suspeitos de integrarem um esquema de venda clandestina de combustível, durante uma operação que aconteceu simultaneamente em Pontes e Lacerda (MT), Vila Bela da Santíssima Trindade (MT) e Aripuanã (MT). O material era fornecido para abastecer máquinas dentro de um garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, uma das áreas mais pressionadas pela atividade ilegal na Amazônia.
Ao todo, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva contra lideranças do grupo e quatro mandados de busca e apreensão. A Polícia Federal ainda tentou localizar um terceiro suspeito que acabou foragido.
Segundo a investigação, o principal alvo foi um posto de combustível clandestino instalado na divisa entre uma propriedade rural de um dos suspeitos e a Terra Indígena Sararé, em Pontes e Lacerda (MT). Para a polícia, a localização estratégica facilitava o abastecimento direto de maquinários usados no garimpo.
O dono da fazenda e o sócio dele foram presos também por posse ilegal de armas. Durante as buscas, os agentes apreenderam dinheiro guardado em mochilas, além de documentos. Já o terceiro homem investigado, que teve dezenas de notas fiscais de compra de diesel emitidas em seu CPF, não foi localizado. Ele já havia sido investigado pela PF por extração ilegal de ouro na mesma terra indígena, em 2024.
Início das investigações
A apuração começou após fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no ano passado. Com base na análise de notas fiscais, a PF identificou que o fazendeiro, também apontado como chefe do esquema, comprava grandes volumes de óleo diesel de uma empresa autorizada pela ANP a revender combustível, mesmo sem ponto fixo.
Em menos de dois anos, o grupo adquiriu mais de 4 milhões de litros de diesel, um volume que ultrapassa R$ 26 milhões em notas fiscais. Para os investigadores, a quantidade é incompatível com a atividade declarada da fazenda, voltada à pecuária, e indica o abastecimento de frentes de garimpo ilegal.
Durante fiscalizações anteriores, já havia sido flagrado o armazenamento e a venda irregular de combustível em uma fazenda a poucos quilômetros de áreas de extração clandestina. Na ocasião, foram apreendidos 15 mil litros de diesel e um reservatório com capacidade para 15 metros cúbicos.
Os agentes também identificaram que a propriedade rural possui uma estrada que dá acesso direto a um grande ponto de garimpo dentro da terra indígena. A área, de cerca de 67 mil hectares, já teve mais de 3 mil hectares devastados nos últimos três anos.

Combate ao garimpo ilegal
Para a Polícia Federal, atingir a cadeia logística é uma das formas mais eficazes de frear o garimpo ilegal, já que o óleo diesel é insumo essencial para escavadeiras, balsas e motores usados na atividade criminosa. No ano passado, operações do Ibama destruíram 170 máquinas e apreenderam mais de 65 mil litros de combustível ligados ao garimpo na região.
O material recolhido nesta fase será analisado para confirmar os indícios e identificar outros possíveis envolvidos no esquema.
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