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Milho de MS entra na mira de tarifaço americano

O recente anúncio de aplicação de sobretaxas sobre os países que negociam com o Irã por parte dos Estado Unidos tem ampliado a tensão e especulações negativas no setor do agronegócio brasileiro, e em Mato Grosso do Sul a história não é diferente. No ranking das exportações de MS, o mercado iraniano ocupou a 9ª posição entre os dez principais parceiros comerciais.

Comércio de milho deve ser a mais impactada pela taxação dos EUA

Em 2025, as exportações sul-mato-grossenses para o Irã somaram US$ 170,8 milhões, representando 1,6% do total exportado pelo estado no ano (US$ 10,74 bilhões). Conforme o Comex Stat (estatísticas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) o principal produto embarcado foi o milho, seguido de soja, melaço e farelo de soja. 

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Já no sentido inverso, as importações vindas do Irã totalizaram US$ 28,3 mil, restritas exclusivamente à aquisição de couro.

Posicionamento e Orientações da Aprosoja MS

Em entrevista ao Portal Primeira Página, o economista da Aprosoja MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul), Mateus Fernandes, afirmou que o cenário internacional deve permanecer marcado por elevada incerteza, especialmente para cadeias mais expostas ao mercado iraniano, como a do milho em Mato Grosso do Sul.

“Em 2025, o Irã respondeu por 28% do volume total de milho exportado pelo estado, o que evidencia uma exposição até que significativa desse mercado a eventuais restrições comerciais ou encarecimento das transações”, pontuou.

Segundo ele, qualquer dificuldade adicional no acesso ao mercado iraniano pode causar o redirecionamento de oferta e pressão sobre preços de forma mais limitada, visto que a parcela exportada não é tão significativa, já que a demanda interna de milho cresceu muito nos últimos anos, e aumento da competição em outros destinos.

Soja após colheita em Mato Grosso do Sul.
Exportações de soja devem ser menos impactados do que a soja. (Foto: TV Morena)

O impacto sobre a soja tende a ser mais limitado, uma vez que o Irã representou apenas 1% do volume exportado, reduzindo a dependência direta desse mercado. No entanto, a medida pode afetar Mato Grosso do Sul de forma indireta, ao provocar ajustes nos fluxos globais de comércio, volatilidade nos preços internacionais das commodities e variações cambiais, fatores que influenciam a rentabilidade do setor.

“Diante desse ambiente, é fundamental que produtores, cooperativas e tradings adotem uma postura de gestão ativa de risco, com atenção à diversificação de mercados, comercialização escalonada e monitoramento constante das condições externas”.

O economista explica que a busca por eficiência produtiva, redução de custos e planejamento financeiro ganha ainda mais importância em um contexto de juros elevados e maior volatilidade.

Além disso, o fortalecimento de estratégias comerciais e a ampliação de mercados alternativos podem contribuir para mitigar riscos e preservar a competitividade do agronegócio sul-mato-grossense frente a possíveis mudanças no comércio internacional.

  1. Trump impõe tarifa de 25% a países que negociam com o Irã

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