• Home
  • Destaque
  • IA erra, inventa fatos e recomenda votos, diz estudo

IA erra, inventa fatos e recomenda votos, diz estudo

Chatbots de Inteligência Artificial que estão entre os mais utilizados no Brasil podem apresentar informações incorretas sobre as eleições e, em determinadas situações, até recomendar candidatos aos usuários. É o que aponta um levantamento realizado pela Ekō, organização internacional que atua na responsabilização de grandes empresas e plataformas digitais.

O estudo, divulgado em agosto de 2026, avaliou quatro sistemas: ChatGPT, Gemini, Grok e Meta AI. Ao todo, foram analisadas 300 respostas, 75 de cada plataforma, a partir de perguntas relacionadas às eleições brasileiras, regras eleitorais, candidatos, notícias recentes envolvendo políticos e autoridades e teorias conspiratórias sobre o processo de votação.

Os testes foram realizados em português entre 24 de junho e 1º de julho. Para avaliar se o contexto político do usuário poderia interferir nas respostas, os pesquisadores utilizaram três perfis fictícios: um alinhado à direita, outro identificado com posições progressistas e um terceiro apresentado como neutro.

– Continua após a publicidade –

Entre os quatro sistemas avaliados, a Meta AI apresentou a maior proporção de respostas consideradas incorretas. Segundo a Ekō, 18 das 75 respostas analisadas continham algum tipo de erro, o equivalente a 24%. O ChatGPT e o Grok tiveram 9 respostas problemáticas cada, ou 12%, enquanto o Gemini apresentou seis, correspondente a 8%.

Os pesquisadores classificaram as respostas como totalmente corretas, parcialmente corretas ou incorretas, confrontando as informações fornecidas pelas ferramentas com legislação eleitoral, decisões judiciais, páginas oficiais de instituições públicas, universidades e veículos de imprensa.

Erros vão de prazos eleitorais a informações sobre candidatos

Entre os exemplos identificados está uma resposta da Meta AI sobre o prazo para transferência do título de eleitor. O sistema teria informado que a data-limite seria 5 de abril de 2026, quando o prazo correto era 6 de maio.

A ferramenta também apresentou, segundo o levantamento, informações incorretas sobre o direito ao voto de presos provisórios e sobre o processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

– Continua após a publicidade –

O ChatGPT também apresentou respostas consideradas problemáticas pelos pesquisadores. Em um dos testes, teria informado incorretamente que Bolsonaro não havia sido preso ou condenado no processo relacionado à tentativa de golpe. Em outra situação, apresentou como possíveis candidatos à Presidência nomes que, segundo o levantamento, não estavam na disputa presidencial.

No Gemini, um dos problemas encontrados foi o fornecimento de um número de WhatsApp desatualizado como contato da Justiça Eleitoral. Já o Grok apresentou, de acordo com a Ekō, respostas que reproduziam alegações não comprovadas relacionadas a uma suposta articulação entre governo, Supremo Tribunal Federal e Justiça Eleitoral para restringir a liberdade de expressão.

Chatbots recomendaram votos

Um dos pontos mais sensíveis do levantamento, porém, não está relacionado apenas às informações erradas. Os pesquisadores também testaram como os sistemas responderiam quando os usuários perguntassem, direta ou indiretamente, em quem deveriam votar.

Segundo a Ekō, ChatGPT, Grok e Gemini fizeram recomendações de voto em determinadas situações. A Meta AI não apresentou esse comportamento nos testes realizados pela organização.

– Continua após a publicidade –

As respostas também variaram de acordo com o perfil político atribuído ao usuário. Em determinados testes, os sistemas associaram as preferências apresentadas pelo usuário a candidatos considerados mais alinhados às suas posições.

No caso do ChatGPT, por exemplo, a pesquisa relata que o sistema indicou ao perfil conservador que determinadas propostas de Flávio Bolsonaro poderiam estar mais próximas de suas preferências do que as de Lula. Para o perfil progressista, o sistema teria apresentado uma recomendação indireta favorável a Lula.

O Grok também apresentou respostas diferentes conforme o perfil utilizado pelos pesquisadores. O Gemini, por sua vez, teria indicado candidatos como Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado em determinadas situações envolvendo o perfil conservador.

O perigo de transformar IA em “consultor eleitoral”

Para a Ekō, os resultados levantam preocupações sobre o papel que ferramentas de inteligência artificial podem desempenhar durante processos eleitorais.

O problema não está somente na possibilidade de um chatbot “inventar” uma informação. Uma resposta incorreta sobre a data de uma eleição, uma regra para votar ou a situação jurídica de um candidato pode influenciar diretamente uma decisão do eleitor.

A situação se torna ainda mais delicada quando o sistema consegue adaptar a resposta ao perfil político apresentado pelo usuário. Em vez de simplesmente fornecer informações, a ferramenta pode acabar funcionando como uma espécie de conselheiro político personalizado.

O levantamento também chama atenção para as regras brasileiras relacionadas ao uso de inteligência artificial durante as eleições. A Ekō sustenta que a legislação eleitoral brasileira restringe o uso de sistemas de IA generativa para emitir opinião, recomendar ou ranquear candidaturas.

Estudo não significa que toda resposta das plataformas esteja errada

Apesar dos resultados, os dados precisam ser interpretados dentro dos limites da pesquisa. O levantamento analisou uma amostra específica de perguntas, em versões determinadas dos sistemas e durante um período específico.

Isso significa que os percentuais encontrados não podem ser tratados como uma taxa permanente de erro de cada chatbot. Atualizações dos modelos, mudanças nas bases de dados e alterações nas políticas das empresas podem modificar o comportamento das ferramentas.

Ainda assim, o estudo oferece um alerta importante para um cenário em que cada vez mais pessoas recorrem à inteligência artificial para obter informações sobre assuntos públicos.

Em ano eleitoral, a recomendação mais segura continua sendo conferir informações sobre candidatos, votação, locais, prazos e regras diretamente em fontes oficiais, especialmente na Justiça Eleitoral, em vez de depender exclusivamente de uma resposta produzida por um chatbot.

Para o eleitor, a inteligência artificial pode ser uma ferramenta de pesquisa. O problema começa quando a resposta da máquina deixa de ser tratada como ponto de partida e passa a ser encarada como autoridade.

As principais notícias, devocionais e reflexões para começar bem o dia.

Conteúdos que edificam, direto no seu celular.

Fé, informação e inspiração em uma só edição.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

imagens mostram transformação de cidade de MT

Antes dos mais de 10,5 mil habitantes, das avenidas e da força do agronegócio, havia…

Goiás passa a ter mosaico de áreas protegidas na Serra dos Pireneus

O Mosaico da Serra dos Pireneus passa a integrar oficialmente a região de Goiás nesta…

Extremos climáticos já afetam produção de alimentos no Brasil e exigem adaptação imediata

As mudanças climáticas deixaram de ser uma preocupação para o futuro e já impactam diretamente…