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Família Bolsonaro usa a igreja como curral eleitoral

Em publicação nas redes sociais, parlamentar critica o bolsonarismo, fala sobre gratidão política e questiona espaço concedido a pastores na direita

Por Cristiano Stefenoni

As movimentações em torno da disputa por vagas ao Senado nas eleições de 2026 continuam provocando reações entre lideranças conservadoras e evangélicas. Em vídeo publicado nas redes sociais, o deputado federal Otoni de Paula fez duras críticas à família Bolsonaro ao comentar a situação do deputado federal Marco Feliciano, que tem manifestado interesse em disputar uma vaga ao Senado por São Paulo.

Ao reagir a uma declaração de Feliciano, Otoni relembrou sua própria trajetória política e o apoio que afirma ter dado ao grupo bolsonarista em eleições anteriores. Segundo ele, a relação construída ao longo dos anos não foi correspondida com reconhecimento político. O parlamentar recordou que obteve cerca de 400 mil votos em uma eleição passada e afirmou que a votação contribuiu para a eleição de outros integrantes do partido, entre eles Eduardo Bolsonaro.

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Durante a gravação, Otoni disse que já havia antecipado publicamente que Feliciano não seria o escolhido do grupo político para disputar o Senado. Segundo o deputado, a decisão não estaria relacionada à capacidade eleitoral do pastor, mas a uma estratégia de preservação da influência política da família Bolsonaro junto ao eleitorado evangélico.

“O primeiro ponto é isso. Segundo ponto é que não existe gratidão no dicionário da família Bolsonaro”, afirmou o parlamentar. Em outro trecho, ele declarou que integrantes do grupo entendem que o simples fato de políticos estarem próximos ao ex-presidente ou utilizarem sua imagem em campanhas já seria uma forma de compensação pela lealdade demonstrada.

Otoni também argumentou que a família Bolsonaro evitaria o surgimento de lideranças evangélicas independentes com grande projeção nacional. Na avaliação dele, figuras religiosas que alcançassem cargos de maior destaque, como governador, prefeito de capitais ou senador, poderiam construir uma base política própria dentro do segmento evangélico.

Ao longo da fala, o deputado mencionou ainda as dificuldades enfrentadas por políticos que rompem com o bolsonarismo. Segundo ele, muitos aliados preferem permanecer alinhados ao grupo por considerarem elevado o custo político de um afastamento. Nesse contexto, afirmou acreditar que Marco Feliciano não estaria disposto a assumir os riscos de uma ruptura.

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Apesar das críticas, Otoni reconheceu que Feliciano poderia representar uma candidatura competitiva ao Senado em São Paulo. Para ele, a presença do pastor na disputa aumentaria as chances de o Partido Liberal conquistar a vaga e ampliaria a representação de lideranças evangélicas em uma das casas mais importantes do Congresso Nacional.

A declaração mais contundente, porém, veio no encerramento do vídeo. O deputado acusou a família Bolsonaro de instrumentalizar o apoio religioso para fins eleitorais, sem permitir que lideranças oriundas das igrejas alcancem posições de maior protagonismo político.

“A família Bolsonaro se utiliza da igreja, ela usa a igreja, ela tem a igreja como um curral eleitoral, mas na hora de permitir a alguém da igreja alçar um cargo maior, esquece, eles não vão deixar isso acontecer”, afirmou.

As declarações ampliam um debate recorrente dentro do campo conservador brasileiro: a relação entre lideranças políticas e o eleitorado evangélico. Nos últimos anos, o segmento tornou-se uma das principais bases de apoio da direita nacional, mas também passou a registrar disputas internas envolvendo espaço político, representatividade e influência eleitoral.

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