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Europa paga 45% mais pela carne de MT que a China; embargo fecha mercado

A União Europeia compra menos de 5% da carne bovina exportada por Mato Grosso, mas paga cerca de 45% mais por tonelada que a China, principal destino do produto mato-grossense. É justamente esse mercado de maior valor agregado que fica temporariamente fechado com o embargo europeu a produtos de origem animal do Brasil, iniciado nesta quinta-feira (3).

A suspensão atinge carne bovina, suína e de frango, além de pescados, ovos e mel. A decisão havia sido anunciada em maio, após o Brasil ser retirado da lista de países considerados em conformidade com as exigências europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.

Essas substâncias podem ser utilizadas no tratamento de infecções nos animais. A União Europeia, porém, proíbe o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento e estabelece restrições para aqueles considerados essenciais ou reservados à medicina humana.

Suspensão atinge carne bovina, suína e de frango, além de pescados, ovos e mel. – Foto: Imac/Assessoria

Europa paga mais pela carne de MT

Embora a participação europeia seja pequena quando comparada a outros compradores, o mercado tem importância para Mato Grosso pelo preço pago pela carne.

Entre janeiro e julho deste ano, o estado exportou mais de 457 mil toneladas de carne bovina para diferentes mercados, com faturamento de aproximadamente US$ 2,8 bilhões. A receita cresceu mais de 50% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Para a União Europeia foram destinadas cerca de 22 mil toneladas, que renderam aproximadamente US$ 195 milhões.

Isso significa que o bloco respondeu por menos de 5% do volume exportado por Mato Grosso, mas por aproximadamente 7% do faturamento.

Em média, cada tonelada de carne bovina mato-grossense comprada pelos europeus custou quase US$ 9 mil entre janeiro e julho. O valor é cerca de 45% superior ao pago pela China.

Por isso, o impacto do fechamento do mercado não está apenas na quantidade que deixará de ser comercializada, mas na perda temporária de um destino que compra cortes de maior valor agregado e remunera melhor a cadeia produtiva.

Carne terá que encontrar outros compradores

O superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Cleiton Gauer, explica que um dos desafios será encontrar outros compradores capazes de absorver esse produto pagando valores semelhantes aos praticados pelos europeus.

Além disso, a carne destinada à Europa não pode necessariamente ser enviada de forma automática para qualquer outro país. Cada mercado estabelece exigências sanitárias, comerciais e características próprias para os produtos importados.

Entre as possibilidades buscadas pelo Brasil está a abertura do mercado da Coreia do Sul, considerado pelo setor um destino com potencial para remunerar produtos em patamar semelhante ao europeu. A abertura, no entanto, depende de negociações e da aprovação das autoridades sul-coreanas.

O fechamento europeu também pode atingir especialmente pecuaristas que produzem dentro das exigências específicas desse mercado e recebem um prêmio pela carne comercializada.

Brasil tenta reverter suspensão

O setor brasileiro argumenta que já cumpre as regras europeias sobre antimicrobianos.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, os produtos destinados à Europa já seguem protocolos que impedem o uso dessas substâncias como promotores de crescimento.

Nesta semana, uma missão técnica da União Europeia está no Brasil para auditar as cadeias produtivas de frango e mel. A visita termina nesta sexta-feira (4), mas as conclusões ainda precisarão ser analisadas pelo bloco europeu, processo que pode levar cerca de dois meses.

O Brasil também reforçou a fiscalização sobre o uso de antimicrobianos. A expectativa do setor é que a auditoria confirme o cumprimento das exigências e contribua para a retomada das exportações.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou ainda que empresas brasileiras habilitadas a vender para a União Europeia aderiram a um protocolo privado para controle do uso dessas substâncias.

Enquanto o impasse não é resolvido, o setor mato-grossense terá o desafio de encontrar destino para uma carne que representa uma parcela pequena das exportações do estado, mas que estava sendo vendida para um dos mercados que melhor pagam pelo produto.

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