O advogado e presidente da Comissão do Agro da OAB/MS, Thiago Amorim, questiona a reclamação dos bancos sobre a inadimplência e as recuperações judiciais do Agro.
“A recuperação judicial é brutal para os bancos, para o sistema financeiro. Não estamos aqui pra fazer o jogo do nós contra eles. Estamos aqui pra dizer que há riscos em todas as atividades. E nós precisamos equilibrar esses riscos”, afirma.
O equilíbrio, para ele, passa pela redução dos valores do crédito rural, hoje, nas alturas e, inclusive, alvo de uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU).
Thiago Amorim é o entrevistado do podcast Agro de Primeira desta semana que, excepcionalmente, é híbrido para os dois estados.
O advogado afirma que o banco, com as recuperações judiciais, vai receber menos, já que, nestes casos, geralmente, as dívidas acabam reduzidas para que o produtor tenha condições de sair da situação financeira incapacitante.
Para o banco, é só meta, para produtor, sobrevivência
“Se o banco tinha R$ 50 milhões pra receber, ele vai receber R$ 30 milhões, mas aí tem uma coisa antes. Quanto custa o juro do seu cartão de crédito? Nós estamos falando de um produto, que é subsidiar o agronegócio, este está dando problema? E os demais? Se estivesse tão ruim assim, no ano em que as recuperações judiciais estão batendo recordes, os bancos ainda teriam bilhões de lucros?”, questiona.
Ele diz que o dificultar o crédito ao produtor impondo vendas casadas que encarecem a tomada de recursos, é algo muito difícil para o agro, porque, “pra um lado é só mais uma coisa pra fechar meta do banco e pro outro lado é a diferença entre continuar ativo ou não”, disse.
Só no último trimestre de 2025, quase 100 empresas ligadas ao agronegócio entraram com pedidos de recuperação judicial em Mato Grosso e Mato Grosso do sul.
Este é um corte do Agro de Primeira. A íntegra pode ser vista nos canais do podcast no YouTube e no Spotify. Caso prefira, ele também está disponibilizado abaixo.