Em eventos do agronegócio, um personagem chama atenção: o engraxate Júnior Ferreira Paz, 45 anos. Há 30 anos na profissão, ele encontrou nos grandes eventos uma nova forma de manter o trabalho ativo. Cada vez mais raro nas ruas, o ofício de engraxate resiste pelas mãos de Júnior, que começou aos 15 anos, por conta própria, e segue na atividade até hoje.
Antes de ser presença conhecida em feiras e encontros empresariais, ele trabalhava como ambulante, circulando pelas ruas da capital. Com a caixa nas mãos, ia de ponto em ponto oferecendo o serviço. Foi assim, aos poucos, que construiu clientela e conquistou confiança. “Aprendi sozinho”, resume, de forma tímida, ao relembrar o início da trajetória.
A ida para os eventos surgiu por meio de convites. Segundo ele, a mudança não aconteceu de uma hora para outra, mas foi resultado de anos de dedicação.
“De estar nos eventos é uma longa história. Tem que ter o convite do proprietário do evento e isso aí a gente veio conquistar ao longo desses 30 anos de serviço”, conta.

Atualmente, Júnior participa principalmente de eventos ligados ao agronegócio e à advocacia, públicos que concentram a maior parte de seus clientes. Este é o quarto ano consecutivo que ele participa do evento “Boi que deixa dinheiro” e, por muitos anos, marcou presença na Expoagro.
Discreto e de poucas palavras, Júnior não se alonga muito na nossa entrevista, mas deixa claro o orgulho da própria trajetória. São 30 anos dedicados a uma profissão que resiste ao tempo — e que agora ganha novo espaço entre estandes, palestras e rodadas de negócios.
Em um cenário cada vez mais tecnológico e acelerado, a presença de um engraxate em eventos corporativos pode soar inusitada. Para Júnior, no entanto, é apenas a continuidade de um trabalho que começou na adolescência e que, três décadas depois, segue firme, agora como parte do cenário dos grandes encontros do agro mato-grossense.
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