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Clínica onde paciente morreu tinha 42 internos e não aparece em registro do CRM

A clínica de recuperação localizada no bairro Jardim Primavera, em Cuiabá, onde o paciente Alessandro Sidinei Braga, de 38 anos, foi encontrado morto, abrigava mais 42 internos e não teve registro localizado no banco de dados do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT).

Nessa segunda-feira (1º), Odiley Rodrigues Souza, de 42 anos, que atuava como plantonista no local, foi preso suspeito de forjar o suicídio da vítima. Conforme a investigação, ele era o único responsável pelo plantão noturno da ala onde estavam os demais internos.

Em nota, o CRM-MT informou que tomou conhecimento do caso pela imprensa e que, após buscas feitas com os nomes atribuídos ao centro em reportagens, não encontrou registro da empresa.

Clinica em que paciente foi encontrado morto no bairro Jardim Primavera. – Foto: PJC-MT

O Conselho informou ainda que vai oficiar a Polícia Civil de Mato Grosso para obter dados complementares do espaço, como o CNPJ, para aprofundar a análise do caso. Somente após receber essas informações, o CRM-MT deve avaliar quais providências poderão ser adotadas.

A morte ocorreu em um centro terapêutico de recuperação para dependentes químicos e pessoas com esquizofrenia, segundo o próprio Conselho.

Funcionário foi preso

De acordo com a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a ocorrência foi inicialmente registrada como suicídio por enforcamento. No local, os investigadores encontraram Alessandro já sem vida, com marcas de corda no pescoço.

O plantonista relatou que o paciente teria se enforcado na janela do quarto. No entanto, a perícia identificou inconsistências entre os vestígios encontrados e a versão apresentada pelo suspeito.

Ainda segundo a Polícia Civil, o investigado confessou ter forjado a cena do crime e admitiu que pediu para uma testemunha confirmar a falsa narrativa. A testemunha negou a versão e relatou medo de represálias.

Funcionário investigado admite ter dado versão falsa sobre morte de interno.
Funcionário investigado admite ter dado versão falsa sobre morte de interno. – Foto: Reprodução

A apuração aponta que, durante a madrugada de domingo (31), Alessandro teria sido contido após ficar alterado. A polícia investiga se ele foi imobilizado com um golpe conhecido como “mata-leão” ou com uma corda usada para amarrá-lo.

Depois disso, conforme a investigação, o paciente foi deixado trancado em um quarto com outros internos, com os braços amarrados para trás. Ele só foi encontrado morto pela manhã.

A Polícia Civil trata o caso como homicídio doloso consumado e também investiga possível fraude processual. O inquérito segue em andamento para esclarecer a dinâmica da morte e apurar se outras pessoas participaram do crime.

CRM orienta busca por estabelecimentos

Na nota, o CRM-MT destacou que todo paciente pode consultar estabelecimentos de saúde por meio de um sistema nacional de busca disponível no site do Conselho.

A recomendação é que familiares e pacientes verifiquem a regularidade dos locais antes da internação ou contratação de serviços de saúde.

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