Carnaval: prefeitos capixabas revelam aliança

Encontro no Sambão do Povo sinaliza possível trégua política e movimenta bastidores do cenário eleitoral capixaba

Por Denise Miranda

A aparição conjunta do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), durante o Carnaval de Vitória, chamou atenção do meio político capixaba e reacendeu especulações sobre uma possível reaproximação entre os dois gestores. O registro, feito no Sambão do Povo, circulou entre lideranças como um gesto calculado em meio a tensões recentes.

Nos bastidores, a leitura predominante é de que o Carnaval funcionou como um ambiente neutro para sinalizações políticas sem discursos formais. A presença conjunta, ainda que breve, foi interpretada como um aceno de maturidade institucional e disposição ao diálogo, especialmente em um ano pré-eleitoral, quando gestos têm peso político significativo.

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Prefeitos reagiram às movimentações de Arnaldinho com críticas duras, classificando os gestos como “ingratidão” e “traição” ao grupo governista. Em mensagem no grupo de WhatsApp da Amunes, um deles afirmou que “a ingratidão é o pior dos sentimentos” e saiu em defesa do governador Renato Casagrande e do senador Ricardo Ferraço, desencadeando uma sequência de manifestações de apoio às duas lideranças.

Interlocutores próximos ao Palácio Anchieta avaliam que o governador Renato Casagrande tem interesse direto na manutenção da unidade do grupo político no Espírito Santo, o que passa pela pacificação entre lideranças municipais estratégicas. Arnaldinho, prefeito de uma das maiores cidades do Estado, é visto como peça-chave nesse tabuleiro.

Até o momento, nem Pazolini nem Arnaldinho comentaram publicamente o encontro em suas redes sociais. O secretário de Estado da Saúde, Tyago Hoffmann, interlocutor político do governo, afirmou que o gesto foi visto como um equívoco político, mas não como rompimento. “Ainda entendemos que Arnaldinho faz parte do grupo. Foi um erro, mas não suficiente para retirá-lo do campo político do governador Renato Casagrande”, disse, ressaltando que “a política é feita de gestos”, especialmente em um ambiente simbólico como o Carnaval.

O governador Renato Casagrande adotou tom cauteloso ao comentar o episódio. Questionado nesta terça-feira (10), durante agenda com o ministro da Educação, Camilo Santana, sobre a reaproximação entre prefeitos, afirmou que “as pessoas se aproximam de quem quiser” e disse não ver motivo para questionamentos públicos. Ao ser perguntado se Arnaldinho segue como aliado, respondeu: “Aliado é quando as duas partes desejam. Da minha parte, não houve mudança. Continuo na mesma posição”.

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O episódio reforça que, no Espírito Santo, o Carnaval também pode ser palco de articulações políticas — ainda que embaladas por samba, luzes e cordialidade pública.

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