Preservar áreas nativas deixou de ser apenas uma questão ambiental e também pode representar uma vantagem para o agro. O assunto foi debatido no podcast Agro de Primeira, apresentado por Edevaldo Nascimento, que recebeu Renato Roscoe, diretor executivo do Instituto Taquari Vivo. (Assista ao episódio completo no YouTube acima ou clique no link abaixo para ouvir no Spotify.)
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Durante a entrevista, Roscoe explicou que o trabalho do instituto começou a partir dos impactos ambientais na região do rio Taquari, onde processos erosivos e o assoreamento contribuíram para graves transformações na paisagem.
A recuperação dessas áreas trouxe outro desafio: encontrar sementes de espécies nativas da própria região. A partir dessa necessidade, foi estruturada a rede Flor dos Serrados, que atualmente envolve cinco comunidades e cerca de 120 pessoas, a maioria mulheres.
“Nós começamos com 400 kg de semente no ano, no primeiro ano. Esse ano nós estamos fechando com quase 20 toneladas de semente de mais de 200 espécies coletadas por essas pessoas”, afirmou.
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Crédito de carbono exige cuidado
O mercado de carbono também ganhou espaço na conversa. Roscoe alertou que produtores precisam ter cautela diante de propostas apresentadas como oportunidades de crédito de carbono, já que projetos sérios dependem de mensuração, monitoramento, metodologias reconhecidas e certificação.
O especialista explicou ainda que o alto custo desse processo é uma das barreiras para pequenas propriedades.
Por isso, projetos envolvendo diferentes produtores e novas formas de redução das emissões dentro das cadeias produtivas podem ampliar as possibilidades no campo.

Dizer de preserva não basta: é preciso provar
Outro ponto destacado foi a pressão dos mercados internacionais por comprovação de práticas sustentáveis. Para Roscoe, protocolos reconhecidos e certificações independentes serão cada vez mais importantes para demonstrar como os alimentos brasileiros são produzidos.
A conservação, segundo ele, precisa caminhar junto com a viabilidade econômica das propriedades, permitindo que produção e preservação avancem lado a lado.
“Eu acho que o Brasil tem condições de ter restauração, ter produção, ter preservação e inclusão social, tudo ao mesmo tempo. A gente só precisa parar de olhar de um lado e de outro e olhar de forma conjunta a todo esse sistema, que ele está todo interligado”, destacou.

Durante o bate-papo, Roscoe também falou sobre recuperação de pastagens degradadas, pagamento por serviços ambientais, bioinsumos e o papel dos produtores na conservação da biodiversidade e dos recursos naturais.