Levantamento mostra que trabalhadores valorizam cada vez mais benefícios voltados ao bem-estar, à flexibilidade e ao planejamento financeiro
Por Cristiano Stefenoni
Os benefícios oferecidos pelas empresas estão passando por uma transformação. Se antes o foco estava principalmente em remuneração variável e vantagens tradicionais, hoje os profissionais demonstram valorizar cada vez mais iniciativas que contribuam para a qualidade de vida, o equilíbrio da rotina e a segurança financeira.
É o que revela a 7ª edição da Pesquisa de Benefícios da Robert Half, que aponta uma mudança significativa nas prioridades dos trabalhadores. Segundo o levantamento, 30% dos profissionais consideram os benefícios voltados à saúde mental e os programas de assistência ao empregado (Employee Assistance Program, ou EAP) como os mais relevantes oferecidos pelas empresas.
Na sequência aparecem benefícios ligados ao cuidado com a família e à flexibilidade no trabalho. A pesquisa mostra que 23% dos entrevistados valorizam a licença parental estendida, enquanto 21% destacam iniciativas como banco de horas e Short Friday, prática em que a jornada de trabalho é reduzida às sextas-feiras.
Outro dado que chama atenção é a preocupação crescente com o futuro financeiro. De acordo com a pesquisa, 35% dos profissionais apontam a previdência privada entre os benefícios mais importantes, demonstrando que a estabilidade econômica de longo prazo passou a ocupar espaço de destaque nas decisões sobre carreira.
Mudança de prioridades
A pesquisa indica que os profissionais passaram a avaliar o pacote de benefícios de forma mais ampla, considerando fatores que impactam diretamente sua saúde, produtividade e qualidade de vida.
A análise mostra que benefícios relacionados ao bem-estar deixaram de ser diferenciais e caminham para se tornar parte das expectativas básicas dos profissionais.
Empresas precisam acompanhar
Outro resultado do levantamento reforça esse novo cenário. Setenta e sete por cento dos profissionais afirmam que os pacotes de benefícios oferecidos atualmente pelas empresas precisam ser atualizados para acompanhar as mudanças do mercado de trabalho.
Na prática, isso significa que organizações que investem apenas em salário competitivo podem perder espaço para aquelas que oferecem suporte emocional, flexibilidade de jornada, programas de desenvolvimento e iniciativas voltadas à saúde financeira.
Especialistas observam que, após os impactos da pandemia e das transformações nas relações de trabalho, temas como saúde mental, prevenção do estresse, equilíbrio entre vida profissional e pessoal e planejamento financeiro passaram a influenciar diretamente a satisfação e a permanência dos colaboradores nas empresas.
Bem-estar como estratégia
Os resultados da pesquisa também refletem uma mudança cultural nas organizações. O cuidado com o colaborador deixa de ser visto apenas como um benefício adicional e passa a integrar estratégias de retenção de talentos, aumento da produtividade e fortalecimento da cultura corporativa.
Nesse contexto, programas de apoio psicológico, orientação financeira, horários mais flexíveis e políticas de apoio às famílias tendem a ganhar ainda mais espaço nos próximos anos, acompanhando as novas expectativas dos profissionais.