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Após perder lavoura de café para incêndio, agricultor celebra recomeço em MT

Há menos de dois anos, o produtor rural Antônio Beitum viveu um dos momentos mais difíceis de sua trajetória no campo. Um incêndio de grandes proporções destruiu praticamente toda a propriedade onde ele cultiva café, a cerca de 10 quilômetros do centro de Tangará da Serra (MT). O fogo consumiu a plantação, equipamentos, cercas e até áreas de reflorestamento.

As chamas consumiram não só a lavoura de café, mas também diversos equipamentos utilizados para irrigação. – Foto: TV Centro América

Hoje, porém, o cenário é outro: o cafezal voltou a florescer e simboliza a retomada da produção e da esperança. Ao relembrar o dia da tragédia, seu Antônio conta que estava na cidade quando percebeu a fumaça se aproximando da propriedade. A corrida para tentar salvar a produção foi em vão.

“Foi um motivo para a gente ficar muito triste. Nós estávamos na cidade e vimos aquele fumaceiro. Corremos para cá, mas quando chegamos já não dava nem para entrar na propriedade. A casa e os barracões estavam pegando fogo, mas conseguimos salvar essas estruturas”, recorda o produtor em entrevista ao programa +Agro, da TV Centro América.

O prejuízo foi enorme. Segundo o produtor, aproximadamente 16 mil pés de café foram atingidos, além de 25 mil metros de sistema de irrigação por gotejamento, bomba d’água, motor, cercas, curral e parte do reflorestamento implantado na fazenda.

“A gente nem fez o cálculo do tamanho do prejuízo. No ano passado, por exemplo, o café chegou a ser vendido por R$ 2.200 a saca. Se colocar tudo na ponta do lápis, o prejuízo vai lá em cima. Mas Deus deu força, a gente deixou os prejuízos para trás e hoje está muito feliz de ver a lavoura desse jeito, produzindo de novo.”

seu antonio cafe tangara
Seu Antônio na lavoura que foi atingida pelo fogo. – Foto: TV Centro América

Depois do incêndio, uma das principais dúvidas era sobre a recuperação da área. Arrancar toda a plantação ou apostar na brotação dos pés queimados? A solução foi dividir a estratégia.

“Nós não sabíamos se arrancava tudo ou se cortava para deixar brotar. As mudas eram caras e precisavam vir de Rondônia. Então, da metade para baixo, resolvemos cortar para ver se brotava, e deu certo. Já a parte de cima teve que ser replantada. Foi uma decepção muito grande, mas graças a Deus tínhamos uma reservinha e ainda contamos com a ajuda da prefeitura, que forneceu algumas mudas e adubo.”

Quase dois anos após o incidente, os resultados do esforço já podem ser vistos. Os pés de café rebrotados estão floridos e a expectativa para a próxima colheita é animadora.

“Esse café tinha quatro anos quando o fogo queimou tudo. Nós cortamos e ele brotou. Agora a lavoura está praticamente formada de novo. A expectativa é colher cerca de 50 sacas beneficiadas, principalmente dessa área que rebrotou mais rápido.”

Estratégias para recuperar o solo

Para o extensionista da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Leonardo Diogo Dias, a recuperação de uma área atingida pelo fogo depende de manejo adequado e da reposição dos nutrientes perdidos.

“Acreditamos que, em dois ou três anos, é possível recuperar uma qualidade satisfatória do solo para o cultivo, desde que o produtor adote boas práticas. Se não houver reposição de nutrientes, controle da erosão e cobertura do solo, esse prazo pode chegar a cinco anos ou mais”, disse o extensionista.

flor no cafe
A florada branca do café é o momento em que os cafezais se cobrem de flores brancas que exalam um perfume considerado adocicado. – Foto: TV Centro América

Segundo o especialista, a ideia de que o fogo traz benefícios para a agricultura é equivocada.

“O fogo diminui a qualidade do solo, causa perda de matéria orgânica, afeta a parte química e biológica e provoca a morte de microrganismos importantes para a fertilidade. Com práticas corretas é possível recuperar a área, mas o incêndio sempre traz prejuízos”, completou.

Entre essas práticas está a manutenção da cobertura vegetal entre as linhas do cafezal, técnica utilizada na propriedade de seu Antônio e que ajuda a recompor a matéria orgânica e estimular a atividade biológica do solo.

Mais do que uma nova safra, a florada branca que hoje cobre a plantação do produtor representa um recomeço após tempos de dificuldade causados pelo incêndio.

“Essa flor simboliza muita esperança para a gente. E ainda traz um perfume muito bonito. Ver as abelhas trabalhando aqui é uma coisa importante demais”, finalizou seu Antônio.

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