• Home
  • Agro
  • Vacas mimadas com música, brinquedos e escovadas rendem prêmio para produtora de MT

Vacas mimadas com música, brinquedos e escovadas rendem prêmio para produtora de MT

No Sítio Vila Láctea, em Sorriso, no médio-norte de Mato Grosso, vacas são criadas ao som de música baixa, recebem escovadas e até têm brinquedos no pasto. O método, baseado no bem-estar animal, virou diferencial da produtora Rita Hachiya e já resultou em queijos premiados.

Na propriedade, os animais têm nome, rotina e espaço. São criados soltos, com acesso à sombra, estímulos no ambiente e contato diário com a produtora. Nem sempre, porém, a realidade foi assim.

Quando chegou ao assentamento, Rita não tinha experiência com o campo e iniciou a trajetória conciliando a vida na terra com a atuação como agente de saúde.

“Comecei a trabalhar com quatro vacas emprestadas, todas da raça Jersey. Nunca tinha trabalhado na pecuária leiteira, não sabia tirar leite nem fazer queijo. Entre 2009 e 2015 ia trabalhar, voltava, tirava o leite e entregava ao Laticínio cerca de 50 litros por dia”, contou.

Foi aí que aconteceu a virada na trajetória, quando decidiu sair do emprego e se dedicar totalmente à atividade leiteira. No início, começou vendendo queijo de porta em porta, mas sentia que faltava algo, então decidiu investir em qualidade.

“Quem me ensinou tudo foi o Evandro, o veterinário que me dava assistência na época, e me convidou para essa parceria com as vacas. Hoje somos marido e mulher”, relembrou.

A propriedade se tornou a primeira do estado a ser certificada como livre de brucelose e tuberculose. Logo após veio o selo de inspeção municipal e o Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (SUSAF), que permitiu a comercialização em todo Mato Grosso, fazendo com que o produto ganhasse espaço. Mais tarde, veio o reconhecimento: o primeiro Selo Arte de Mato Grosso, conquistado em 2023 com um queijo autoral.

O apoio que ajudou a transformar

Ao longo do caminho Rita passou a contar com o apoio do Clube Amigos da Terra, uma organização que atua há mais de duas décadas na região com projetos voltados à agricultura familiar, sustentabilidade e certificação de produção. 

Segundo a assistente de projetos do CAT Sorriso, Andreia Sousa, essa parceria começa justamente na identificação de produtores que têm potencial para se desenvolver. 

“Por meio dos nossos projetos, a gente identifica esses produtores, faz um diagnóstico na propriedade e passa a acompanhar de perto. Assim, conseguimos participar do desenvolvimento e também reconhecer casos de sucesso”, explica.

vacas felizes
Produtora aposta em método diferente de criação de gado e transforma leite em queijos premiados. – Vídeo: Arquivo Pessoal

Foi por meio desse acompanhamento que a produtora começou a investir em práticas sustentáveis e em um modelo de produção baseado no bem-estar animal, no qual as vacas deixaram de ser apenas parte do processo produtivo e passaram a ser o centro dele.

Uma das iniciativas desenvolvidas pela organização é o selo de identificação de origem da agricultura familiar. “O selo dá visibilidade e valor ao produto. Por meio do QR Code, o consumidor consegue acessar toda a história do produto, desde a produção até quem está ali no dia a dia”, explica Andreia.

Quando o cuidado se torna vínculo

No início era tudo automático e o foco era dar conta do que precisava ser feito. Na convivência diária, a forma de Rita enxergar as vacas começou a mudar.

“Antes era tudo corrido, eu não tinha tempo. Hoje observo mais cada vaca, o jeito de cada uma. Converso muito com elas, é uma troca de carinho. Parece simples, mas faz diferença: quando estou presente, elas ficam mais calmas e tranquilas”, conta.

Na propriedade, o espaço foi pensado para que as vacas sejam criadas soltas e tenham acesso à sombra das árvores plantadas ao longo da área. Nos dias mais quentes, elas mesmas  buscam abrigo e se adaptam ao ritmo do ambiente. 

Há também estímulos fora do comum: escovas instaladas no pasto e bolas que incentivam a movimentação. Pequenos detalhes que compõem o chamado enriquecimento ambiental, uma forma de valorizar o comportamento natural dos animais.

Para Rita, o cuidado traz resultados não só no comportamento, mas na produção. “Desde o início, eu sempre tive essa preocupação com o bem-estar delas. E acredito que elas produzem um leite mais saboroso por conta de todo esse tratamento, de todo esse cuidado. Isso reflete no queijo”, afirma.

Hoje, o rebanho tem 11 animais no total, sendo cinco em lactação. “A minha prioridade é manter o contato com os animais. Se aumentar esse número, eu vou perder isso, e isso eu não quero.” contou a produtora.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Vendedor é desmascarado após inventar série de roubos de veículos em MS

Um vendedor de automóveis, de 27 anos, está sendo investigado pela Polícia Civil, após realizar…

Salinização do solo pode deixar de ser limite para o milho

Uma pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com a Brandeis University,…